Inverno no Verão.

Foto: Desordeiro


Lareira acesa… Cheiro a fumo
Lá fora a chuva bate na janela de madeira
O aconchego do lar tem outro significado
A protecção da intempérie momentaneamente é me dada pelo Lar
Aconchega o frio que tenho no estômago

As falas e o sotaque denunciam que sou um ser estranho
Um forasteiro em terras altas… eu aqui perdido…
Mas aconchegado pelos que me recebem em sua terra
Como se um bom filho a casa retornasse

É esta humildade de gente que me faz voltar a esta terra
No burgo não há esta humildade de alma
Nem este calor de coração

No burgo apenas se debita palpites e ordens
Que se façam cumprir, grita o Régio barrigudo

Oh senhor! Isso é falta do paladar apurado dos enchidos lá de cima…

Desça do seu pedestal,
Suba á serra…

E peça perdão aos artesãos; pastores; agricultores…
Esses sim…
Reis da Terra.

E quiçá do Céu… ou Inferno…

“Gula, pecador me confesso”

Comentários